Perguntam-me por que razão Agustina está escrito em letra mais pequena*.
– Porque é um murmúrio – respondo. – Porque é um tempo de cumplicidade que não quero espalhar aos quatro ventos. Como se fosse o estojo de um colar de safiras azuis, que se abre devagar e dali se soltam gratas lembranças de celebrações e gestos elegantes.
*Em Mónica Baldaque, Sapatos de Corda – Agustina, Relógio D’Água, 2020, de onde é retirado este episódio do podcast.
_____________________________________________
Música/sons:
Debussy, Pagodes (de Estampes) e Mozart, excerto da Sonata para Piano n.º 10 em dó maior, KV 330, sequências MIDI de Š Katsuhiro Oguri, http://www.kunstderfuge.com/
Virgílio Oliveira, excertos de Rio Douro/Douro River, vol. 1 (2012) e Picos de Urbion, the source of the Duero (2014), Green Field Recordings
Agustina passeia-se pela rua de Guerra Junqueiro, no Porto, toda ela bordejada de castanheiros-da-índia, uma zona fora do centro, de vivendas com jardins e...
Agustina reflete sobre o país, o seu governo de gente transitória e sem imaginação; e sobre o seu povo, de gente timorata, que se...
Este texto, datado de 30 de novembro de 1978, escrito portanto há 45 anos, terá talvez sido publicado no Comércio do Porto, conforme consta...